Pés da pessoa com diabetes: como prevenir complicações

 “Pé Diabético” compreende todas as situações de risco para os pés da pessoa com diabetes passíveis de tratamento preventivo e se originam, principalmente, da lesão dos nervos (neuropatia) e dos vasos (vasculopatia).

A lesão dos nervos causa:

  • Redução da sensibilidade1
  • Redução da umidade dos pés
  • Alterações da marcha e do equilíbrio

A doença dos vasos causa:

  • Diminuição da nutrição dos tecidos facilitando o aparecimento de feridas2
  • Dificuldade de cicatrização
  • Gangrena

Estas alterações podem levar a graves consequências como amputação dos pés, parte deles ou de todo membro inferior.

3Através de “avaliação de grau de risco” e orientação preventiva é possível evitar as amputações tão frequentemente associadas ao “pé diabético”.

Toda prevenção começa com o esforço para manter uma boa compensação das taxas de glicemia e a identificação dos pacientes sob risco, através de exames de sensibilidade, de estrutura e de circulação do pé.

Medidas preventivas:

  • Controle rigoroso da glicemia
  • Educação e informação
  • Observação diária dos pés, para detectar presença de regiões avermelhadas, bolhas, calos, fissuras na pele, deformidades nas unhas, ou seja, qualquer alteração.

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  • Avaliação de Grau de Risco para lesões – exame realizado por profissional habilitado, uma vez por ano para todos as pessoas com diabetes e em intervalos pré-estabelecidos naquelas que estejam classificadas com algum grau de risco.
  • Utilização de calçados adequados, isto é, que promovam a proteção dos pés em vez de agredi-los

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  • Devem ser um centímetro maior do que o maior dedo
  • Largura suficiente para comportar a parte mais larga e mais alta do pé
  • Profundidade suficiente para acomodar a parte mais alta do pé  
  • O solado deve ser rígido e com espessura  que proteja a região plantar

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  • Meias de algodão ou lã, sem costuras
  • Hidratação da pele. Não passar creme entre os dedos7
  • Cortar as unhas sem aprofundar nos cantos (de forma mais reta)
  • Não cortar as cutículas (protegem a matriz (raiz) da unha)
  • Tratamento de calos e unhas encravadas por enfermeiro podiatra ou enfermeiro com capacitação em procedimentos podiátricos
  • Tratamento das lesões (bolhas, calosidades, feridas) por enfermeira especialista
  • Fisioterapia e reabilitação muscular e articular
  • Tratamento médico da neuropatia e da vasculopatia

Todos estes itens são fundamentais na redução do número assustador de amputações.

Suely Rodrigues Thuler
Mestre em Educação nas Profissões da Saúde pela PUC SP
Enfermeira Estomaterapeuta TiSOBEST
Membro Titulado da SOBEST – Associação Brasileira de Estomaterapia: estomias, feridas e incontinencias
Pós graduada em Podiatria Clinica pela UNIFESP