Por que pacientes com COVID-19 desenvolvem feridas durante a internação? 

Um pouco da história da doença

A COVID-19 é caracterizada por uma síndrome respiratória grave causada pelo coronavírus (SARS-Cov-2), ou seja, uma infecção do trato respiratório que se espalhou pelo mundo rapidamente, desde seu aparecimento na China ao final do ano de 2019. Sua transmissão, muitas vezes assintomática, sua alta taxa de infecção e mortalidade levou a Organização Mundial de Saúde a declará-la como uma pandemia em Março de 2020. No início de agosto

2020, mais de 20 milhões de casos de COVID-19 foram confirmados globalmente com mais de 750.000 mortes relatadas em mais de 200 países e territórios. Atualmente, no Brasil, vivemos um novo momento crítico da pandemia, com aumento do número de casos e aumento da mortalidade. 

A COVID-19 tem uma alta taxa de infectividade, principalmente devido a propagação através de gotículas respiratórias. São comuns sinais clínicos iniciais como febre, tosse, fadiga, falta de ar, dor de garganta e dor de cabeça. Porém, novos sintomas vêm sendo identificados pelo mundo, como uma variedade de manifestações cutâneas, por exemplo.

Manifestações cutâneas causadas pela COVID-19

As alterações na pele causadas pele COVID-19 são numerosas e podem variar muito de pessoa para pessoa. Porém, é importante destacar que pacientes que evoluem com gravidade e necessitam ser internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) têm sido comum o desenvolvimento de feridas de pele, principalmente em áreas expostas à pressão.  

Pacientes internados em UTI’s apresentam um risco mais elevado para o surgimento dessas feridas. Estas feridas são chamadas de Lesões por Pressão (LPs), que são evitáveis, mas no atual cenário da COVID-19 têm trazido inúmeros desafios para os hospitais, profissionais de saúde, paciente e família devido fatores associados à gravidade dos próprio paciente. 

Pacientes que necessitam do uso de equipamentos para ajudar a respirar, que precisam ficar sedados, por exemplo,  não conseguem se movimentar na cama do hospital, não possuem a percepção para sentirem desconforto, deste modo são pacientes que possuem chances de apresentarem feridas, pois não conseguem se mexer na cama sozinhos. Os profissionais de saúde realizam esta movimentação do paciente e outras medidas para a prevenção, porém os pacientes com COVID-19 muitas vezes precisam permanecer na mesma posição por horas seguidas, pois se os profissionais tentarem virar ou mexer nestes pacientes, eles podem apresentar piora do quadro clínico e aumentar o risco de morte. Esses longos períodos deitados na mesma posição diminuem a circulação e oxigenação da pele e associado a outros fatores podem levar ao surgimento das feridas.

As  feridas (LPs) aumentam o tempo de internação, os custos hospitalares, as complicações e sequelas ocasionadas pelo seu aparecimento. Muitos pacientes que recebem alta hospitalar após o tratamento da COVID-19 estão retornando para casa com feridas (LPs) graves necessitando de tratamento e acompanhamento prolongados para a cicatrização.

E agora? Chegou o dia de ir para casa, estou curado da COVID-19, mas tenho uma ferida (LP). O que eu faço?

É importante, inicialmente, que o enfermeiro especialista em feridas (Enfermeiro Estomaterapeuta ou Enfermeiro especialista em Dermatologia) realize a avaliação do paciente e da ferida para indicar as medidas necessárias de cuidado, sejam elas preventivas ou de tratamento. Alguns cuidados são fundamentais para a cura dessas feridas e prevenção do surgimento de novas lesões, como:

  • Utilizar colchões que redistribuem a pressão do corpo na cama, quando o paciente ainda irá permanecer acamado (por exemplo, colchões pneumáticos);
  • Utilizar dispositivos auxiliares para posicionamento como coxins e travesseiros que auxiliarão no alívio da pressão;
  • Proteger áreas de maior risco para o desenvolvimento das feridas com curativos indicados pelo enfermeiro especialista;
  • Olhar a pele diariamente nos pacientes acamados é de extrema importância para identificação precoce de qualquer alteração na pele;
  • Manter sempre a pele limpa e seca, longos períodos com a fralda molhada, por exemplo, aumentam o risco do surgimento dessas feridas;
  • Utilizar produtos de limpeza com pH levemente ácido ( a avaliação do especialista é fundamental);
  • Realizar mudanças de posicionamento do paciente de 2-4 horas nos pacientes acamados;
  • Além disso, a nutrição adequada, controle da glicemia, a ingesta hídrica, reabilitação motora, o tratamento específico das feridas com curativos indicados pelo especialista são fundamentais para o processo de cura e reabilitação do paciente.

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O Brasil tem apresentado dados preocupantes e crescentes sobre a infecção e óbitos pela COVID-19. Muitos são os acometimentos causados pela doença: alterações respiratórias, cardiovasculares, renais, neurológicas e também as alterações de pele. O cuidado com as feridas que surgem no período de internação é extremamente importante para a recuperação completa do paciente.

Mas, o mais importante é continuarmos nos protegendo. Se cuidem!!!

Referências

  1. Singh H, et al. Cutaneous Manifestations of COVID-19: A Systematic Review. ADVANCES IN WOUND CARE, 2021; 10(2): 51-77.
  2. Sousa DA, Antelo DAP. Manifestações cutâneas da COVID-19: Uma série de casos do Brasil. Revista SPDV, 2020; 78(4): 329-34.
  3. Casas CG, et al. Classification of the cutaneous manifestations of COVID‐19: a rapid prospective nationwide consensus study in Spain with 375 cases. British Journal of Dermatology, 2020; 183: 71–77.
  4. Ramalho AO, Rosa TS, Santos VLCG, Nogueira PC. Acute Skin Failure e Lesão por Pressão em paciente com Covid-19. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 2021; 19 (e0521).
  5. Black J, Cuddigan J, Capasso V, Cox J, Delmore B, Munoz N et al. on behalf of the National Pressure Injury Advisory Panel (2020). Unavoidable Pressure Injury during COVID-19 Crisis: A Position Paper from the National Pressure Injury Advisory Panel.
  6. Ramalho AO, Freitas PSS, Moraes JT, Nogueira PC. Reflexões sobre as recomendações para prevenção de lesões por pressão durante a pandemia de COVID-19. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 2020; 18 (e2520).